Medir e situar
Esta seção classifica os 437 trabalhos da revista em dois eixos. O primeiro eixo indica se o trabalho mede o desempenho da informação, isto é, se ela funciona para quem a usa. O segundo indica se o trabalho trata o lugar de onde fala como parte do que investiga. Os dois eixos acompanham a história do campo no Brasil. O design da informação chegou ao país com as primeiras pesquisadoras da área, que voltaram da Universidade de Reading para a UFPE, em Recife, nos anos 1980 e 1990. Elas trouxeram a pergunta sobre a eficácia da informação. Depois, o campo cresceu no Brasil: a SBDI foi criada em 2002, o CIDI acontece a cada dois anos desde 2003 e a revista começou em 2004. Com o tempo, o campo passou a considerar também o território brasileiro de que trata. A seção mostra os dois eixos ao longo de vinte e dois anos. Ao todo, 63 trabalhos fazem as duas coisas ao mesmo tempo.
Um modelo de IA (Claude), e não uma pessoa, leu cada trabalho e classificou se ele mede desempenho e se considera o lugar de onde fala como parte do que investiga. Os pesquisadores responsáveis decidiram o que classificar. O modelo escreveu os critérios e os aplicou. Isto significa que podem existir erros em alguns casos. O modo como a conferência foi feita está descrito em Procedimentos.
Dos 437 trabalhos, 164 medem desempenho, isto é, testam compreensão, legibilidade, tempo, erro ou adequação a um critério. Os outros 273 não medem. No outro eixo, 132 estudam material do território, e 26 tratam o lugar como uma questão sobre o modo de produzir conhecimento. Os outros 279 não se situam. Os dois eixos se combinam: 63 trabalhos fazem as duas coisas, e 178 seguem outra abordagem.
Os quatro grupos, por período de três anos
Porcentagem de trabalhos de cada um dos quatro grupos, em períodos de três anos. Cada período soma 100%. O número de trabalhos de cada período está na tabela de dados.
- Só desempenho
- Os dois
- Só situado
- Outra abordagem
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| Ano | Só desempenho | Os dois | Só situado | Outra abordagem |
|---|---|---|---|---|
| 2004-2006 | 27,3% | 9,1% | 18,2% | 45,4% |
| 2007-2009 | 15,8% | 14% | 22,8% | 47,4% |
| 2010-2012 | 25% | 16,7% | 10,4% | 47,9% |
| 2013-2015 | 36,5% | 11,1% | 17,5% | 34,9% |
| 2016-2018 | 28,1% | 8,8% | 17,5% | 45,6% |
| 2019-2021 | 21,2% | 20% | 20% | 38,8% |
| 2022-2024 | 15,8% | 15,8% | 30,3% | 38,1% |
| 2025-2026 | 17,2% | 13,8% | 41,4% | 27,6% |
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O gráfico mostra duas mudanças ao mesmo tempo.
Primeiro, o grupo que só mede desempenho diminui. Ele reúne mais de um terço dos trabalhos no período de 2013 a 2015, e menos de um quinto nos dois últimos períodos. Segundo, o grupo que só se situa cresce, e no último período é o maior dos quatro. As duas linhas se cruzam na passagem do período de 2019 a 2021 para o de 2022 a 2024.
O grupo que faz as duas coisas continua presente. Por isso, não se pode dizer que um tipo de pesquisa substituiu o outro. Avaliar se algo funciona e perguntar de onde se fala podem aparecer no mesmo trabalho, e um em cada sete trabalhos do acervo faz as duas coisas. O que muda é a pergunta que o campo faz quando faz só uma delas.
O modelo agrupou os anos em períodos de três anos para reduzir a variação causada pelo pequeno número de trabalhos. Na última década, a revista publicou cerca de vinte e cinco trabalhos por ano. Num gráfico ano a ano, um trabalho a mais mudaria o resultado em quatro pontos percentuais.
Território como objeto e como posição, por período
Porcentagem dos trabalhos de cada período em cada nível do eixo situado. No território como objeto, o trabalho estuda material do Brasil ou de outro país do Sul global com as categorias habituais do campo. No território como posição, o lugar de onde se fala, ou a condição de quem participa da pesquisa, muda a pergunta do trabalho.
- Território como posição
- Território como objeto
- Não se situa
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| Período | Território como posição | Território como objeto | Não se situa |
|---|---|---|---|
| 2004-2006 | 4,6% | 22,7% | 72,7% |
| 2007-2009 | 3,5% | 33,3% | 63,2% |
| 2010-2012 | 0% | 27,1% | 72,9% |
| 2013-2015 | 1,6% | 27% | 71,4% |
| 2016-2018 | 5,3% | 21% | 73,7% |
| 2019-2021 | 5,9% | 34,1% | 60% |
| 2022-2024 | 11,8% | 34,2% | 54% |
| 2025-2026 | 17,3% | 37,9% | 44,8% |
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Nesta seção, um trabalho situado é aquele que apresenta uma visão de mundo diferente da do Norte global, isto é, dos países ricos que dominam a produção científica. A perspectiva brasileira conta como a de um país do Sul global. A classificação separa dois níveis. No território como objeto, o material estudado é do Brasil ou de outro país do Sul global: uma bula brasileira, a sinalização de um hospital, as letras nas ruas de uma cidade, a história do design gráfico no México. O trabalho analisa esse material com as categorias habituais do campo.
No território como posição, o lugar ou a condição de quem escreve faz parte da pergunta do trabalho. Os 26 trabalhos desse nível fazem isso de quatro modos. Alguns afirmam que as categorias do campo não servem bem ao contexto brasileiro, como os mapas temáticos feitos para a Europa e a América do Norte e aplicados aos estados brasileiros. Outros adotam a perspectiva decolonial, isto é, crítica da herança colonial, ou a do Sul global, como a revisão do Isotype, um sistema de pictogramas, na África Ocidental colonial. Outros trabalham com uma população excluída da produção do campo, e essa condição define o método: povos indígenas, pessoas negras, pessoas trans, pessoas cegas e comunidades locais que produzem os próprios dados. Os demais tratam de justiça, de acesso ou de poder, como a crítica feminista da norma gráfica.
Um trabalho sobre material de um país do Norte global, tratado como lugar particular, fica fora do eixo. É o caso dos cartazes portugueses e das letras vernaculares da Irlanda. Um trabalho sobre o Norte conta como situado quando contesta a norma do Norte ou trata de justiça, de acesso ou de poder. É o caso do estudo da tipografia nacional polonesa que exclui grupos étnicos. Os critérios completos, com as regras que decidiram os casos de fronteira, estão em Procedimentos.
Este painel mostra por que o eixo tem três níveis: as duas linhas se comportam de modos diferentes.
O território como objeto aparece na revista desde o começo e não cresce nem diminui de forma contínua. Ele fica entre um quinto e dois quintos dos trabalhos. Isso é esperado numa revista brasileira, cujos autores estudam a bula, a sinalização e a memória gráfica do próprio país.
O território como posição se comporta de outro modo. São no máximo três trabalhos por período até 2018, e nove e cinco nos dois últimos períodos. Com isso, a porcentagem passa de menos de 2%, entre 2010 e 2015, para 17%. O número absoluto é pequeno, mas a direção é clara.
Com só dois níveis, as duas linhas apareceriam somadas, e a soma fica quase estável. A tese decolonial afirma que o campo passou a pensar a partir do Brasil, e não apenas a estudá-lo. A linha do território como posição é a que permite verificar essa afirmação.
Trabalhos que medem desempenho, por período
Porcentagem dos trabalhos de cada período que medem desempenho, por qualquer medida de eficácia que o trabalho informe.
- Mede desempenho
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| Período | Mede desempenho |
|---|---|
| 2004-2006 | 36,4% |
| 2007-2009 | 29,8% |
| 2010-2012 | 41,7% |
| 2013-2015 | 47,6% |
| 2016-2018 | 36,8% |
| 2019-2021 | 41,2% |
| 2022-2024 | 31,6% |
| 2025-2026 | 31% |
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A pesquisa que avalia desempenho não predomina no começo da revista e não desaparece no fim. Ela cresce e chega ao ponto mais alto entre 2013 e 2015, quando quase metade dos trabalhos media alguma coisa. Depois, cai para um terço.
Essa forma contraria duas explicações comuns. A primeira diz que o campo nasceu avaliando e vem perdendo rigor, mas a série mostra que a primeira década avaliava menos do que a segunda. A segunda explicação diz que a mudança para a pesquisa situada é recente e ainda não afetou a prática. A queda do desempenho, porém, começa antes de o território como posição crescer.
Este eixo classifica a orientação do trabalho, e não o método. Conta a pergunta que guia o trabalho, e não o instrumento usado. Um artigo que usa a psicologia cognitiva para melhorar instruções e termina dizendo que ainda falta um teste com usuários entra neste grupo, porque a pergunta dele é a da eficácia, trazida de Reading. Os instrumentos, isto é, quem avaliou, com quem e como, estão na seção Objetivos e métodos.
Quantos trabalhos em cada categoria
Cada trabalho recebe uma categoria em cada eixo. Clique numa barra para ver logo abaixo os trabalhos dessa categoria.
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| Categoria | Trabalhos |
|---|---|
| Mede desempenho | 164 |
| Não mede desempenho | 273 |
| Território como posição | 26 |
| Território como objeto | 132 |
| Não se situa | 279 |
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Este painel mostra o total de cada categoria, sem a divisão por período. Ele serve para conferir as porcentagens dos gráficos acima e para chegar aos trabalhos. Clique numa barra para ver a lista dos trabalhos daquela categoria logo abaixo do gráfico.
São 26 trabalhos, em vinte e dois anos, que tratam o território como posição. É um número pequeno. Ainda assim, ele basta para indicar uma tendência, porque a maior parte desses trabalhos é de 2020 em diante.
Território como posição e língua de publicação
Porcentagem dos trabalhos de cada língua que tratam o território como posição. A partir de 2019, a revista publica nas duas línguas.
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| Categoria | Território como posição | Trabalhos |
|---|---|---|
| Inglês, de 2019 em diante | 14% | 10 de 70 |
| Inglês, todo o período | 12% | 11 de 92 |
| Português, de 2019 em diante | 8% | 9 de 116 |
| Português, todo o período | 4% | 15 de 336 |
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Este painel existe porque a linha do território como posição sobe no mesmo período em que a revista passa a publicar em inglês. Em 2019, sai um número temático com metade dos trabalhos em inglês, e em 2025 a revista passa a aceitar submissões só em inglês. É nesse período que a posição passa de 6% para 12% e 17%.
O mesmo dado admite duas explicações. Uma diz que o campo passou a fazer mais pesquisa situada. A outra diz que a revista, ao buscar leitores fora do Brasil, pode ter passado a atrair trabalhos com abordagens decolonial e pluriversal, isto é, que admitem várias visões de mundo.
A comparação por língua não decide entre as duas. Ela mostra o tamanho da diferença: no mesmo período, os trabalhos publicados em inglês tratam o território como posição quase duas vezes mais do que os publicados em português. Os nove trabalhos em espanhol, de 2014 e de 2019, não têm nenhum caso, e por isso ficam fora do gráfico.
A conclusão é limitada. Parte do aumento do território como posição pode vir dos trabalhos que a política editorial passou a atrair. Por isso, a série desta seção deve ser lida com essa ressalva.
Como a classificação foi feita
O modelo de linguagem classificou cada trabalho duas vezes, com os critérios publicados em Procedimentos. A segunda classificação foi feita numa sessão separada do modelo, em ordem inversa, sem acesso ao resultado da primeira. Antes de qualquer comparação, essa segunda leitura anotou os limites entre categorias que eram difíceis de aplicar. Dessas anotações saíram as quatro regras que completaram os critérios. Quando as duas classificações divergiram, uma terceira leitura decidiu com essas regras.
As duas classificações coincidiram em 90,6% dos trabalhos no eixo do desempenho e em 77,6% nos três níveis do eixo situado. Quando os três níveis são reduzidos a sim ou não, a coincidência é de 81,2%. 127 trabalhos passaram pelo desempate. Este número não é a concordância entre avaliadores independentes, no sentido usual. As duas classificações foram feitas pelo mesmo modelo, com os mesmos critérios. O número mostra o quanto o texto do trabalho determina a classificação e o quanto fica a cargo de quem lê.
A diferença entre os dois eixos é um resultado sobre o método. Os critérios bastaram para decidir se um trabalho mede desempenho. Eles não bastaram para decidir onde termina o território como objeto e começa o território como posição. Este é o eixo que mais depende de interpretação em toda a plataforma, e o número aparece aqui para que ele seja lido dessa forma.